Uma adaptação cinematográfica para o livro de John Green, "Cidades de papel" rouba o lugar do sucesso anterior do escritor e
se torna um filme adolescente sobre amor
fraterno, autodescobertas e desmistifica amores platônicos.
Na trama, nosso protagonista gente fina, Quentin Jacobsen, é apaixonado por sua enigmática vizinha, Margo, com quem já possuía uma amizade de infância. Margo logo começa aflorar sua obsessão por aventuras e mistérios e Quentin decide não acompanha-la. Logo a amizade de ambos esfria e cada um segue para seu lado, tornando a noite que Quentin recusou o convite de Margo, um de seus maiores arrependimentos.
Mas garota que é garota não esquece, né?! Anos depois, Margo volta a janela de Quentin, recrutando-o para um plano de vingança, e sem querer pisar na lama duas vezes, Quentin topa o desafio e vive uma das melhores noites de sua vida. No dia seguinte, ansioso para estrear sua nova fase, Quentin se surpreende com o sumiço da vizinha e inconformado parte junto com seus amigos à procura de seu amor platônico.
Imaginem aqueles caras despretensiosos e simples, mas que ao mesmo tempo conseguem ser sagazes e surpreender? Agora imagina, O John Green escrevendo uma história. Fez a relação?
Independente da rivalidade filme vs. livro e suas diferenças, a história traz uma perspicaz lição de moral, apreciado nos dois modos de story telling.
Entretanto, a escolha de manter os roteiristas Scott Newstadter e Michael H. Weber nessa adaptação foi um dos pilares do resultado positivo que o filme alcançou. Também responsáveis pelo roteiro de “A culpa é das Estrelas” e “500 dias com ela”, os caras já sabem como retratar a linha do romance idealizado e são os responsáveis pelo nuance do filme mais descontraído e cômico, usando várias referências da cultura pop e nerd; diferente do livro onde o foco foi maior no romance de Quentin e Margo. Então, se você leu o livro conte com algumas mudanças no enredo e um final diferente.
Outra boa sacada, foi a escolha do elenco.
O Quentin de Natt Wolf ainda se mantém inseguro e apaixonado, porém mais focado em seus laços de amizade. Radar e Ben, interpretados respectivamente por Justice Smith e Austin Abrams enriquecem a história em nível crítico e nos fazem dar grandes risadas em cenas simples do cotidiano adolescente. Nos identificamos facilmente com os três amigos, ainda mais pelos momentos de nostalgia no filme, algo super agradável para os mais jovens e um momento gostoso para os mais maduros reviverem. Como do contrário do livro, Radar e Ben ganham mais destaque, as garotas Angela (Jaz Sinclair) e Lacey (Halston Sage) também fazem um ótimo complemento maduro no grupo de amigos. Todos se encaixando harmoniosamente.
Por isso a Margo, mesmo sendo um personagem bem significativo e de presença forte, perde um pouco para todos os personagens tão bem explorados no filme. A Margo que Cara Delevigne incorpora é mais charmosa e envolvente, assim podemos entender melhor a atração de protagonista por ela, mas ainda assim, faltou em cativar o público. Talvez até por ser uma personagem um tanto apática.
Com cenografia e sonorização sutil, o Cidades de Papel é um road movie que realmente funcionou. Não há grandes paradigmas com os personagens e sim, um pessoal comum sob pressão social, marcadas por falhas e ansiedades sexuais.
Imaginando que futuramente, esse filme passará muitas vezes na sessão da tarde, Diferentes dos filmes que abordam o tema de formar artística e singular como Boyhood e Moonrise Kingdon. Cidades de Papel não é tão ambicioso e procura envolver quem assiste sem complexidade ou desconfortos. Mas é isso que mais aprendemos com John Green: poses, status e fachadas não são a garantia da felicidade, tenha cuidado com o que deseja.
Um bom filme para os amigos ou namorados desavisados que foram forçados a assisti-lo, assim como para os não amantes de John Green. Ótimo, principalmente, para quem tem feito origami com papel de trouxa.
Espero que tenham gostado =)
Beijos!















