[Resenha] As mentiras de Locke Lamora - @editoraarqueiro

11 fevereiro 2015

Nome: As mentiras de Locke Lamora - Nobres Vigaristas #1
Autor: Scott Lynch
Páginas: 464
ISBN: 9788580412499
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2014
Comprar:  Saraiva, Submarino

As Mentiras de Locke Lamora - O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula.
Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas.
O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.

Se Patrick Rothfuss e George R. R. Martin gostaram do livro, quem sou eu para reclamar?

Na cidade-estado de Camorr impera a paz secreta, um acordo entre Capa Barsavi, que coordena com mão de ferro todas as gangues de ladrões e larápios, e o Duque de Camorr, que protege os interesses dos nobres e garante a riqueza da cidade portuária. Enquanto isso uma parcela da população morre de fome em antros e favelas, a mercê dos mesmos bandidos que estão terminantemente proibidos de atacar qualquer nobre, sob pena de morte. Órfãos como Locke Lamora são vendidos no Morro das Sombras ao homem conhecido como Aliciador, mestre em transformar as crianças em batedores de carteiras. No mesmo dia em que Locke Lamora é vendido ao Aliciador já quebra a paz secreta ao roubar a bolsa de dinheiro de um dos soldados que o capturou. Após alguns meses ele é vendido novamente ao Sacertote Cego do Templo de Perelandro, depois de enganar o Aliciador para que ele se livrasse de dois valentões.

Correntes, conhecido sacerdote do Templo de Perelandro, também é um farsante. Criou sobre si o mito de um homem que tirou a própria visão e se acorrentou ao templo para arrecadar doações – tudo encenação, ele enxerga muito bem e seu plano de vida é arrecadar órfãos talentosos para criar um grupo de vigaristas ardilosos capazes de tirar fortunas dos nobres. Correntes ensina a eles vários idiomas, matemática, maquiagem, encenação, como se passar por um nobre, um comerciante, um artesão ou um agricultor com a mesma naturalidade com que respiram. Distribui os deveres de acordo com os pontos a favor e fraquezas de cada um para formar um grupo capaz de enriquecer mais do que seria possível a qualquer um deles em uma vida inteira de pequenos golpes.

Vinte anos depois inicia o plano para tirar vinte mil coroas de Dom Salvara, onde mentiras irão se sobrepor, formando uma intrincada teia de enganação em que o grupo dos Nobres Vigaristas coloca a própria vida em risco ao romper a paz secreta, apostando que, quando o golpe for concluído, a humilhação de ser enganado fará com que o nobre mantenha segredo.

Em Camorr qualquer coisa pode ser obtida por suborno, prática tão corriqueira que a narrativa pouco se detém para explicar os meandros da corrupção. Muito conveniente para o pequeno grupo de ladrões, ele chegam a lamentar ter dado pouco dinheiro a alguém que os engana ou ficam felizes por ter dado moedas suficientes para uma pessoa importante sumir.

Para criar o cenário de Camorr há alguma inspiração na queda do Império Romano, em diversos pontos a narrativa me lembrou a série “Crônicas Saxônicas” de Bernard Cornwell, que descreve como os bretões do século VII se sentiam intimidados ao verem as ruínas do que foi um dos extremos do Império Romano: casas com chão aquecido, imensas piscinas, fontes, aquedutos, estradas que depois de séculos sem manutenção continuam a ser usadas, enquanto a arquitetura dos bárbaros se resumia a madeira e barro. Camorr também foi o lar de uma civilização avançada, que sumiu muito antes dos primeiros humanos que até hoje habitam a cidade chegarem. Como legado há imensas torres de uma pedra tão lisa quanto o vidro, passarelas perigosas e jardins de flores de pedra que absorvem sangue (?).

Alguns aspectos da história e da forma como a cidade de Camorr funciona (seja o domínio dos nobres ou nos meandros do submundo) são apresentados aos poucos, ao longo do livro, com intermissões que não atrapalham a leitura e são úteis para a compreensão de um cenário maior das batalhas internas, melhoram o entendimento dos trechos seguintes sem que o autor precise interromper a narrativa para explicar o contexto. Foi uma ótima escolha contar primeiro a história interessante, que vá prender o leitor – de como Locke Lamorra foi vendido de um lado para outro até se estabelecer com Correntes, pulando então vinte anos para contar o resultado de seu aprendizado, e só então se detém em explicar de vez em quando aspectos mais práticos da influência que eventos do passado tiveram no formato que a cidade tem atualmente. Além disso, Scott Lynch não se limitou a criar cidades, panteões, idiomas e hierarquias, até mesmo os meses do ano têm nomes próprios (faz sentido ter novos nomes para os meses do ano, os que conhecemos tem influência dos imperadores romanos) e os hábitos e peculiaridades de cada região são exploradas pelos Nobres Vigaristas em seus golpes.

Leitura divertida e rápida, apesar do sangue fluir livremente e da grande quantidade de palavrões, é indicada para todas as idades adultas: um novo universo se cria e a trilogia só está começando – o volume 2,  "Mares de Sangue", já foi traduzido pela Arqueiro! Aguardo para descobrir o que certa mulher fez a Locke Lamora.


Este livro foi uma cortesia da editora arqueiro.






2 comentários:

  1. Iae Jairo. Beleza?

    Esse livro me dividi um pouco. Às vezes tenho muita vontade de lê-lo, já outas vezes essa vontade some e se mostra quase nula. Por mais que ele tenha suas qualidades (muito bem ressaltadas na resenha) ainda estou com um pé atrás com ele. Decidirei até Abril (mês que compro mais livros). Abraço!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  2. Oi Jairo que historia em, deve ser horrivel sair de mão em mão parecendo uma mercadoria..
    bem interessante o livro...a historia deve ser bem comovente..
    ótima resenha bem explicadinha rsrs..

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