[Resenha] Em nome do mal - @editorarecord

24 outubro 2014
Nome: Em nome do mal
Autor(a): James Oswald
Páginas: 320
ISBN: 9788501403056
Editora: Record 
Ano de lançamento: 2014
Comprar: Saraiva


A violência paira sobre Edimburgo. O corpo mutilado de uma jovem, vítima de um ritual macabro ocorrido há sessenta anos, repousa no porão de uma mansão. Os braços abertos, as mãos pregadas no piso de madeira, os órgãos removidos e dispostos em seis recipientes de vidro em torno da vítima. Além disso, uma proeminente figura local é brutalmente assassinada, um imigrante ilegal corta a própria garganta em um bar no centro da cidade, uma mulher se joga na linha do trem e outras quatro pessoas são mortas de forma violenta. O inspetor Anthony McLean tem certeza de que há uma ligação entre os assassinatos, os suicídios e o ritual no porão, mas não consegue encontrar uma explicação racional para os fatos. Na medida em que as coincidências aumentam, ele é forçado a considerar uma explicação sobrenatural. Poderia existir algo diabólico rondando a cidade que ele jurou proteger? Se sim, como detê-lo? As respostas que McLean procura logo farão com que se depare com a própria essência do mal. · Em nome do mal, primeiro volume da série protagonizada pelo inspetor Anthony McLean, foi finalista do prestigiado prêmio Debut Dagger da Crime Writer’s Association. · “Sombrio, violento, noir.” – The Herald

Edimburgo, capital da Escócia, é uma cidade moderna, em constante mudança desde a idade média e o cenário desse emocionante thriller policial e de suspense, focado nas investigações do inspetor McLean.

Durante a reforma de uma antiga mansão, os pedreiros encontraram um porão secreto. Dentro, o corpo de uma jovem, pregado ao chão e cruelmente mutilado, mumificado depois de 60 anos escondido. Em seis cantos ao redor do corpo, seis frascos escondidos em nichos no gesso continham um órgão da moça, um nome escrito em papel e um objeto – uma cigarreira, uma abotoadura, objetos comuns da época que não indicam suspeitos.

O recém promovido inspetor-detetive McLean fica encarregado do caso e na mesma noite outro crime cruel é descoberto: um rico idoso é encontrado estripado dentro de seu escritório, em um bairro residencial nobre, não muito longe da casa onde o próprio McLean cresceu. O caso ganha grande repercussão por se tratar de uma pessoa eminente e é encerrado assim que um homem, minimamente suspeito e com tênues ligações, comete suicídio. O problema é que em seguida ocorre outro crime semelhante – uma pessoa abastada é assassinada de modo semelhante e em seguida alguém que poderia ser culpado comete suicídio. Apenas McLean acha que pode haver alguma relação entre os crimes, mas não consegue provar o que seus instintos lhe dizem.

McLean tem uma personalidade bem construída, exposta gradualmente, a cada nova dificuldade que encontra o autor toma tempo para relacioná-la com algum acontecimento do passado – a morte dos pais, a condição da avó, o noivado (que ficou para ser explicado nos próximos volumes da série), a pouca influência que a fortuna da família teve na sua opção de carreira.

Narrado em terceira pessoa, alguns capítulos esparsos acompanham os momentos finais de confusão de algum personagem que está para morrer, aumentando o nível de suspense e possibilitando ao leitor formular as próprias teorias muito antes da investigação do inspetor McLean evoluir.

No tema de investigação policial: se você tem curiosidade em saber como os peritos usam a datação em carbono para determinar em que ano uma pessoa morreu, poderá descobrir lá pela página 50. 

Não dá para comentar o final sem arruinar a leitura, então digo apenas que é realmente inesperado, se comparado ao restante da obra. Desde a metade da leitura eu já tinha um suspeito e tinha certeza que ele era o culpado – mas o autor conseguiu me superar e o final era muito diferente do previsto.

Aliás, o livro tem 2 começos possíveis – no manuscrito original que foi enviado para um concurso de literatura policial, o primeiro capítulo com 500 palavras era do ponto de vista de menina morta 60 anos atrás, mas foi considerado muito sombrio, o suficiente para contrastar com o restante da obra, é mais próximo de um livro de terror. Ele foi anexado ao final da obra, para que o leitor escolha se quer ler ou não. São páginas excelentes para arrancar os olhos do leitor logo no começo.

Focando agora no autor, James Oswald: ele é um fazendeiro escocês, não conseguiu editoras que publicassem sua série de livros, então lançou como e-book no amazon este primeiro volume para download gratuito e o segundo volume por £2,99. O sucesso foi grande, levando o livro a ser publicado e vender mais de 50.000 cópias, agora ele assinou um contrato com a Penguin para mais uma série de pelo menos 3 livros e usou o adiantamento para comprar um novo trator (fonte). Veja abaixo, realmente não é o tipo de pessoa que se espera ver ao ler um livro tão denso e sombrio quanto “Em nome do mal”:



A edição da Record é de excelente qualidade, com papel amarelado, orelhas e uma capa que já dá uma ideia do tema, ninguém o compra desavisado, ainda mais com o título que é bem diferente do original – “Natural causes”, ou seja, “Causas naturais”, se traduzido ao pé da letra poderia sim confundir o leitor. Parabéns para a revisão, nenhum erro encontrado.

Recomendado para os fãs do gênero policial, desde que você saiba que o seu investigador não irá usar os punhos antes do cérebro, que ele terá empatia pelos criminosos e vítimas, colegas e familiares, e que as decisões serão influenciadas pelas emoções. Estou ansioso pelo segundo volume da série, o Sr. James Oswald me deve algumas explicações.



Um comentário:

  1. Não conhecia esta obra! A historia parece ser macabra kkkk
    Cheias de mistério, sobrenatural.
    A capa e bem assustadora estão a historia não poderia ser diferente!
    Espero ter oportunidade de esta conhecendo esta obra melhor!

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