[Resenha] Roubo de espadas - Michael J. Sullivan

22 agosto 2014

Nome: Roubo de Espadas - Revelações de Riyria Livro 1
Autor: Michael J, Sullivan
Páginas: 602
ISBN: 9788501402530
Editora: Record - Ano de lançamento: 2013

Royce Melborn e Hadrian Blackwater, os ladrões mais habilidosos de todos os reinos, construíram sua fama ao realizar façanhas aparentemente impossíveis. Porém, após concordar em roubar uma famosa espada do interior de um castelo, os dois se envolvem numa trama repleta de armadilhas, anões, elfos, conspirações políticas, magia e, sobretudo, perigosas reviravoltas. Para comtemplar a missão com sucesso, Royce e Hadrian precisam ser cuidadosos ao escolher inimigos e aliados, pois não é apenas a vida da dupla que está em jogo,mas o futuro da Igreja, dos reinos e de todo o mundo.
Sempre comento que quando há um mapa no início dos livros de fantasia, a história contada a seguir será épica. Pode não ser uma regra, mas se aplica a grandes títulos como O Olho do Mundo (Robert Jordan), O Nome do vento (Patrick Rothfuss) e, é claro, Roubo de Espadas. A continuação, Ascensão do Império, é um dos grandes lançamentos da Record de Julho, e a resenha será publicada em breve. O cenário tem diversas semelhanças com o recente O Rei Demônio (Cinda Williams Chima), lançado pela Suma de Letras: havia um Império, e após a morte do Imperador diversos reinos entraram em guerra civil, se mantendo divididos nos últimos mil anos. Paralelo a isso, a Igreja de Nyphron busca o herdeiro do lendário Imperador Novron, que baniu os elfos para o extremo leste da península ocupada pelos humanos, e acredita-se que sua linhagem ainda exista, mesmo que perdida desde muito antes da queda do Império.


Iniciando a narrativa, acompanhamos a dupla de ladrões conhecida como Riyria, composta por Hadrian, um guerreiro alto e perito espadachim que trabalha com a força e um característico carisma; e Royce, o ladrão profissional: pequeno, ágil, taciturno e mau humorado. Os dois complementam seus pontos fracos e fortes, trabalhando fora das guildas de ladrões, em serviços quase impossíveis que ninguém mais aceitaria. Quando recebem o pedido de um nobre que diz estar perto de ser morto em um duelo (a ofensa teria sido olhar para a mulher do conde Pickering), a dupla aceita entrar em uma capela para roubar a espada favorita do conde. Entretanto, ao chegar à capela a única coisa que encontram é o rei Amrath morto com um punhal ainda cravado nas costas. Diante da armadilha mortal, os dois têm que enfrentar todo o reino e entrar na prisão mais secreta e segura do mundo, esquecida no último milênio e construída para guardar um único homem: o poderoso mago Esrahaddon, a única pessoa capaz de ajudá-los.

Não se deixe assustar pela quantidade de páginas, a partir da 287 se inicia uma nova fase do enredo. Originalmente, o autor publicou por conta 6 novelas, que foram depois publicadas em 3 volumes com 2 novelas cada. As narrativas são sequenciais, e é um grande feito da Record lançar as duas novelas juntas, permitindo uma leitura mais contínua, dado que o enredo não é cansativo.

Apesar de simples, a narrativa em terceira pessoa é a mais adequada para esse tipo de novela. Não há grandes desvios, nem imensos trechos desnecessários, a maior parte da narrativa é focada nos heróis tentando descobrir as conspirações que os cercam e seus inimigos fazendo pequenos ajustes nos planos conforme a dupla foge das situações mais absurdas. O grande diferencial é o tom descontraído que Michael Sullivan implica em toda trama: seus personagens literalmente riem em frente a morte certa. O humor leve é um ponto a favor, assim como os fortes personagens principais e os secundários que são tão cativantes quanto os vilões. Ainda é possível mudar a perspectiva para colocar Royce e Hadrian como vilões, apesar do código de honra próprio, eles ainda são ladrões. Da mesma forma, os que instauram o caos pelos reinos creem que isso será melhor para o Império que está por nascer, e a plena convicção na retidão de suas atitudes os tornam ainda mais monstruosos.

A magia é pouco constante nesse cenário. Apesar de muitos boatos e lendas fantásticas, a presença de criaturas como goblins, anões e elfos, bruxas ainda são temidas e a Igreja tem forte influência. Foi o Imperador Novron que ensinou magia aos humanos, permitindo que derrotassem os elfos, entretanto o tempo e a comodidade praticamente apagaram essa Arte e apenas uns poucos artefatos mágicos sobreviveram.

Há um grave erro de continuidade na página 159, onde a tradução esqueceu de adaptar uma expressão (provavelmente “hardcore” no original) que daria o gancho para uma piada de jogo de palavras: um personagem de hábitos ultrapassados confunde o nível de dificuldade com “duro”, e cogita que o inverso da situação é “macio”. Entretanto, a palavra “duro” não é citada no diálogo, deixando todo o parágrafo sem sentido (desculpem se não sei explicar, mas garanto que ao ler o trecho esse erro é mais engraçado do que a piada original).

A capa do livro, apesar de bonita, é pouco expressiva. Talvez por estar acostumado a ver cores vibrantes nos livros de fantasia não o associei direto ao gênero, mas mesmo assim a capa é agradável e em três frases abaixo do título a capa já temos resumidamente o enredo: “Assassinaram o rei. Incriminaram dois homens. Escolheram a dupla errada”. O papel é de boa qualidade, a lombada não amassa facilmente como é comum em livros tão volumosos e o tamanho grande permite uma fonte de bom tamanho. Uma excelente edição que justifica o preço.

Leitura altamente recomendada para os fãs do gênero e para quem quer dar umas boas risadas enquanto esses anti-herois passam por situações pouco convencionais.



3 comentários:

  1. Adorei o blog, ta de parabéns

    www.booksafter.blogspot.com.br

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  2. Iai Jairo, beleza?

    Cara, eu não conhecia esse livro, mas fiquei louco pela leitura depois de ler a sua resenha. O gênero medieval está caindo no meu gosto. Adicionei o livro na lista de desejado. Abraços!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Gabriel. Desculpe a demora em responder.

      Nesse gênero o livro está mesmo acima da média, junto com alguns poucos que fogem dos clichês, dá para ver pelas notas do skoob. A resenha da continuação já está no ar!

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