[Resenha] Fênix: a ilha - @Novo_Conceito

09 agosto 2014
Nome: Fênix: a ilha - Livro 1
Autor(a): John Dixon
Páginas: 335
ISBN: 9788581633834
Editora: Novo Conceito  
Ano de lançamento: 2014
Comprar: Saraiva

Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?

Se você acha que Katniss sofreu em “Jogos Vorazes”, tem que conhecer Carl Freeman. Beirando o sadismo, o livro narra a jornada de um jovem ao inferno na Terra, onde o objetivo das autoridades é a extinção da individualidade.

Tendo prometido que protegeria os fracos que não tem como se defender, Carl ficou órfão quando o pai, um policial, foi baleado em serviço. Vagando de um orfanato para outro, Carl é orientado por um juíz a praticar boxe para controlar a agressividade. Com anos de treino, foi campeão municipal, estadual e nacional pelas associações juvenis. Mas ao espancar todo um time de futebol (americano, imagino) que atormentava um menino, Carl é considerado um caso perdido pelo juíz local e mandado para a Ilha Fênix, um lugar fora dos Estados Unidos, com disciplina militar e regras absurdas. Entretanto, essa ilha pode esconder segredos sombrios além de qualquer pesadelo para esse grupo de órfãos.

“- Lamento pelas crianças de hoje – disse Stark – Mimadas como pequenas divindades, são fracas e infelizes, não têm nada a que se agarrar, nada a cultuar além de seus próprios desejos. Nada mais é honrado. Nada é sagrado. Num mundo onde nada importa, elas são superalimentadas e deixadas no pasto. É assim que estamos destinados a viver? Não, é como as ovelhas estão destinadas a viver. E é como a maior parte das crianças é hoje, pequenas ovelhas gordas, contentes em seus campos de pastagem eletrônica. Passam a vida fitando telas de televisão e tagarelando em telefones celulares, absortas em video games e falando por horas a fio sobre nada na internet. [...] Mas [...] o que acontece quando uma criança não é uma ovelha? O que acontece quando ela se destaca do rebanho? Ela é punida. Se isso não funcionar, ela é medicada. Se isso não funcionar, ela é aprisionada. E, se isso não funcionar, é enviada para mim.” (pág. 173)

John Dixon deixa muito claro quais personagens iremos odiar desde as primeiras páginas, não há surpresas quanto a isso. O andamento da narrativa é perfeito para os fãs do gênero.

Já o protagonista tem um sobrenome irreverente (“Freeman” significa “homem livre”) e uma personalidade simples, porém carismática. Suas atitudes excessivamente leais são alarmantes, mas compreensíveis quando o personagem analiza mais friamente a própria conduta. Há toques de romance, mas nada justificado e tão súbito que só poderia ser atribuído a situação extrema que viviam.

A narrativa em terceira pessoa acompanha Carl durante quase todo enredo, com pequenos desvios para mostrar outros personagens. As narrativas de lutas são bem compassadas, estimulantes e mostram o conhecimento que o autor (ex-boxeador profissional) tem de anatomia e combate.

Ao ver mais uma narrativa onde os personagens estão em um cenário totalitarista, com regras absolutas, freqüentemente arbitrárias e cenas de extrema violência, é fácil encaixá-lo na categoria de Battle Royale (Koushun Takami), Jogos Vorazes (Susanne Collins), Divergente (Veronica Roth) e Destino (Ally Condie).

A edição da Novo Conceito tem uma capa atrativa (olhando bem é um punho enfaixado como o de um lutador), formato regular da editora e letras grandes, o que deixa a leitura confortável e rapidamente chegamos à última página. Alguns errinhos de digitação não prejudicam a leitura. As transições de capítulo não chegam a ser em momentos-chave, mas tem ilustrações de floresta que ambientam bem o cenário da trama.

O livro inspirou a série de TV “Intelligence” (que é citada na capa e nos agradecimentos do autor). Assisti ao primeiro episódio e a ligação é tênue, na melhor das hipóteses. É como se um roteirista extraísse uma fração da narrativa para construir a série com elementos completamente diferentes. Enquanto o livro é direcionado ao público adolescente, a série é mais adulta. As histórias podem ser acompanhadas em qualquer ordem, sem risco de spoilers.O ator protagonista é Josh Holloway, o eterno Sawyer da série "Lost".


A continuação já tem capa e se chamará "Devil's Pocket" (algo como "Bolso do diabo), com publicação prevista para janeiro de 2015 nos EUA.


Esse livro foi uma cortesia da editora.

3 comentários:

  1. Li poucas resenhas de Fênix e desde que recebi este livro tenho certa curiosidade, embora ainda não tenha começado a lê-lo. Mesmo sabendo que ele traz alguns elementos de Jogos Vorazes, Divergente, etc, não consigo imaginar muito o teor da narrativa, uma vez que não li essas distopias mais recentes. Por outro lado, li 1984 e Laranja Mecânica e gostei demais, sem falar que temas distópicos sempre me provocam um interesse imenso. Não sei se vou curtir a leitura, mas devo admitir que me parece no mínimo interessante.

    Beijo, Livro Lab

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  2. Oi Jairo :)

    Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a resenha, pois eu esperava que você fosse dizer mil maravilhas, mas infelizmente não. Eu queria muito ler esse livro, porém minha animação diminuiu um pouco... Abraços!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  3. Caraca, parece ser um puta livro!!! To curtindo mto história como essa, distopias. Essa parece ser bem interessante :D
    Beijos,

    Amanda
    Divã Literário

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