[Resenha] Quando Tudo Volta - @Novo_Conceito

09 junho 2014

Nome: Quando tudo volta
Autor(a): John Corey Whaley
Páginas: 222
ISBN: 9788581633848
Editora: Novo Conceito 

Ano de lançamento: 2014
Comprar: Saraiva

Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.

Amplamente inspirado em “O apanhador no campo de centeio” (que é citado mais de uma vez), “Quando tudo volta” é uma história envolvente sobre perda e uma ampla reflexão sobre nossos valores.

Cullen Witter mora na pequena cidade de Lily, Arkansas. A aparição de um pássaro raro, que se acreditava extinto, coloca a pacata cidade em evidência Na mesma época a pessoa que Cullen mais respeita no mundo desaparece misteriosamente – Gabriel, seu irmão mais novo. A partir de então a notícia do desaparecimento tenta sem sucesso disputar com o pássaro um lugar nos noticiários, enquanto cada vez mais pessoas de todo país se reúnem em Lily na esperança de ver o pica-pau Lázaro. As relações de Cullen com a família e com seu inseparável melhor amigo, Lucas Cader, vão se deteriorando em estágios de afastamento, violência ou indiferença.

Em capítulos alternados acompanhamos a saga de Benton Sage, um rapaz de 18 anos que, ansioso para agradar o pai, parte para a Etiópia como missionário. Distribuindo alimentos e água nos recantos do país, ele questiona se esse é o melhor método de conversão, já que a maioria das pessoas sequer conhece seu idioma e não parecem entender que ele esteja falando de religião ou salvação, iniciando assim uma cadeia de acontecimentos que reverberará através dos anos.

Se nos basearmos na opinião de Cullen Witter imaginamos que ele é o adolescente mais infeliz do mundo. Seu ponto de vista pessimista permeia todas as páginas escritas em primeira pessoa, um dos traços que mais o aproximam do Holden Caulfield de “O apanhador...” (além da mesma a idade – 17 anos). Logo percebemos os exageros conforme ele descreve uma família relativamente estável, um amigo de confiança e ainda consegue ficar confortavelmente longe dos confrontos com bullies. Suas pequenas experiências sexuais são narradas com evidente orgulho, mesmo que nem sempre satisfatórias.

“Daquele momento em diante, passei a me sentir cada vez mais confiante e menos eu.”

Os capítulos em que conhecemos Benton Sage são repletos de reflexões teológicas e um pessimismo ainda mais evidente. A necessidade de aceitação que Benton enfrenta toma proporções preocupantes conforme a narrativa em terceira pessoa repassa eventos da infância que o marcaram profundamente. A obsessão pela aprovação paterna se torna a característica mais marcante do rapaz, eliminando qualquer traço de personalidade que ele pudesse ter ou manifestar.

De linguagem simples e fluida, sem se preocupar com rebuscamentos John Corey Whaley contrói seus personagens e cenários conforme a narrativa avança, sem se deter em pontos específicos. Juntando isso ao espaçamento duplo e fonte confortável que a Novo Conceito usou, é uma leitura de um dia para o outro, que deixa fortes impressões. Apesar do final não ser exatamente surpreendente, a condução até ele não é forçada e ocorre de maneira natural.

Recomendado a todos os leitores de YA que não querem uma história apocalíptica e exagerada, apenas as reflexões do final da adolescência encaradas com um misto de seriedade e descontração.


                                                                                                Esse livro foi uma cortesia da editora!

Um comentário:

  1. Oi :)

    Esse livro está me deixando dividido, não sei se leio, ou não leio... Sua resenha serviu para uma melhor formação de ideias a respeito dele em minha mente, obrigado! Abraços.

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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